Aulas com Storytelling: entenda o poder dessa metodologia de ensino

Como ganhar um espaço de destaque na mente dos alunos? A todo momento, dentro e fora da sala de aula, estamos disputando atenção com a tecnologia multimídia,  envolvente e viciante.

Mas fique tranquilo: existe uma metodologia de ensino sempre atraente, independentemente dos recursos tecnológicos utilizados. Vamos conhecê-la?

Você já ouviu falar em storytelling?

O termo “storytelling” traz uma nova roupagem para uma técnica bem antiga: a contação de histórias. É por meio delas que introduzimos as crianças no mundo da literatura, estimulando o universo lúdico e a paixão pelos livros, quadrinhos e outros recursos de leitura úteis ao processo de alfabetização.

Vamos compreender melhor: se você já levou alunos para algum tour cultural, deve ter percebido o quanto esse tipo de evento ganha um espaço carinhoso na memória afetiva de cada um.

O storytelling é capaz de fazer o mesmo, sem sair do lugar. Em uma definição poética, seria como empilhar tijolos narrativos, construindo monumentos imaginários repletos de significado.

Apresentação mais dinâmica e envolvente

A ideia dessa proposta é trazer os conteúdos didáticos para a realidade dos alunos por meio de histórias, fictícias ou não, encadeando os elementos narrativos de modo a tornar a apresentação do professor mais dinâmica e envolvente.

O mesmo acontece em livros, filmes, games e desenhos: esses meios de entretenimento se diferenciam pela forma, mas a narrativa por trás dos acontecimentos é o que realmente prende a atenção do público.

Quem repaginou a contação de histórias com o conceito de storytelling foi outra área de conhecimento: o marketing. Podemos dizer que os publicitários têm as mesmas dificuldades de um professor: em meio a tantos estímulos de propagandas, precisam encontrar uma forma de chamar mais atenção do que os concorrentes. Por isso, vários conteúdos publicitários têm evoluído para inserir marcas em contextos de histórias.

Por que o storytelling é tão eficiente?

O sucesso do storytelling para consumidores e alunos é explicado pela neurociência. Para entender por que ele é essencial ao aprendizado, precisamos conhecer os caminhos da memória no cérebro humano. E para tornar a proposta ainda mais clara, vamos fazer isso contando uma história!

Conheça a história da Jéssica, a aluna nota 10

Jéssica era aluna do nono ano do ensino básico em uma escola pública do interior de São Paulo. Desde a primeira série, ela contou cada nota 10 que alcançou em uma prova ao longo de sua trajetória escolar — e foram mais de trezentas. A menina guardava com carinho cada uma das avaliações em uma pasta para registrar seu desempenho.

Os colegas e professores se irritavam com a arrogância de Jéssica: ela nunca prestava atenção às aulas e desdenhava das metodologias de ensino dos professores. Julgava-se sempre superior aos demais alunos, pois aparentemente se esforçava menos para conquistar resultados melhores que os dos outros.

O que estaria por trás de seu desempenho? Todos, inclusive os professores, se questionavam a respeito. Para ela, não havia dúvidas. Ela apenas era mesmo a melhor, quase um gênio, e não precisava entender o porquê. Os números eram suficientes para tirar essa conclusão.

Até que veio o final do nono ano e, com ele, chegou o dia da Prova Brasil, a avaliação aplicada pelo MEC para medir a qualidade do ensino básico. Para Jéssica, o primeiro lugar estava garantido. Mas, para a surpresa de todos, quando chegou o resultado, a aluna ficou entre os 10 últimos lugares da escola. O que teria acontecido de errado?

Os erros de Jéssica

O problema aconteceu porque, ao longo dos anos, Jéssica não se preocupou em aprender, mas apenas em estudar para as provas e exibi-las como troféu. Ela se empenhava ao máximo nas semanas de avaliações, estudando e decorando questões importantes, mas não participava das aulas. A aluna dizia que os livros eram mais objetivos e que os professores “inventavam muita moda” para abordar questões simples.

A moda, a qual ela se referia, era a filosofia de ensino adotada pela escola: uso do storytelling para garantir maior envolvimento dos alunos em conteúdos essenciais, conforme os planos de aula. Jéssica, no entanto, estava preocupada apenas em decorar esses conceitos. Vamos entender por que essa estratégia funcionava para as provas, mas demonstrou ser um fracasso no longo prazo.

Como essa metodologia funciona?

Para entender como o storytelling funciona, é preciso, primeiramente, entender como a nossa memória se organiza.

De maneira resumida, podemos dizer que o cérebro tem três níveis de memória: de curto, médio e longo prazo. É como se fossem três pendrives diferentes, com limite de armazenamento. Imagine que as informações que adquirimos se distribuem nesses pendrives conforme o nível de importância.

Assim, dados recém-adquiridos vão para a memória de curto prazo. Então, o cérebro avalia o grau de relevância da informação para saber se pode jogá-la fora (ou seja, fazer você se esquecer dela).

Caso ele reconheça a importância do conteúdo, as informações vão para a memória de médio prazo. Se depois de um tempo o cérebro identifica que esses conhecimentos não podem ser esquecidos ao longo da vida, eles são direcionados para a memória de longo prazo.

Como o cérebro reconhece a importância de um conteúdo?

Essa é a chave da questão. O reconhecimento de importância não depende da sua vontade: senão, seríamos bancos de dados com armazenamento infinito, mas nossa capacidade é limitada. Por isso, o cérebro utiliza basicamente dois critérios para reconhecer a importância de uma informação: a repetição e o envolvimento.

Repetição

Você costuma esquecer os números da sua conta de banco, RG, CPF e da data de aniversário, por exemplo? Eles já se repetiram tanto na sua vida que você conseguiu decorá-los. Então, o cérebro entendeu que são importantes e armazenou-os na memória de longo prazo.

O mesmo acontece com conteúdos que aprendemos na escola. Se fizermos um esforço de decorar tudo pouco antes da prova, provavelmente vamos bem, pois o conteúdo ainda estará presente na memória de curto prazo. Mas se não tivermos mais nenhum contato com a informação, ela será fatalmente esquecida para sempre.

Envolvimento

Esse fator está diretamente relacionado ao storytelling: as histórias nos chamam atenção, pois ficamos atentos para saber o desfecho da narrativa. Essa postura provoca um envolvimento diferenciado, e é por isso que nos lembramos de boas histórias para sempre. Até mesmo as piadas entram nessa categoria: criamos tanta expectativa e rimos tanto que nosso cérebro entra na onda e quer nos lembrar dessa sensação boa para sempre.

Portanto, quando os professores da Jéssica “inventavam moda”, como ela dizia, na verdade estavam utilizando uma metodologia de ensino que trata os conteúdos de maneira menos objetiva, mas com maior potencial para explorar a atenção e a retenção de informações no longo prazo.

Não é necessário ser uma máquina de conceitos para dar uma boa aula: menos dados com mais envolvimento e repetição geram um resultado muito mais positivo.

Agora, desafiamos você a pensar em como aplicar essa estratégia. A história da Jéssica, por exemplo, seria excelente para explicar o funcionamento do cérebro em uma aula de biologia. Com certeza os alunos se lembrarão dessa dica de estudo para sempre e os conceitos ensinados farão mais sentido para eles.

Gostou deste post? Siga nossa página no Facebook e receba mais dicas inovadoras de metodologia de ensino para a sua sala de aula!

 

Deixe um comentário

Por favor, seja educado. Nós gostamos disso. Seu e-mail não será publicado e os campos obrigatórios estão marcados com "*"