Educação e diversidade: como ser exemplo para os alunos?

Em um mundo com mais de 7 bilhões de habitantes, cada um com suas características e convicções próprias, é essencial que saibamos respeitar as diferenças alheias para que possamos conviver em paz, afinal, ninguém é igual a ninguém.

Nos dias de hoje, a luta pela igualdade de direitos é um dos assuntos mais que mais estão em pauta nas redes sociais e jornais. Nesse cenário, a educação tem um papel importantíssimo, pois a sala de aula é o melhor lugar para aprendermos a conviver com as diferenças e respeitá-las.

Educação e diversidade devem andar sempre de mãos juntas e, por isso, os professores e gestores educacionais devem estar sempre atentos ao ambiente escolar, tomando cuidado para dar bons exemplos aos seus alunos e tratar todos de forma igualitária, respeitando suas diferenças.

Quer saber mais sobre a importância do respeito à diversidade no ambiente escolar? Então continue a leitura do nosso post de hoje!

Quais são os principais conceitos relativos à tolerância? 

A tolerância, por si só, é um conceito de extrema importância ao tratarmos de educação e diversidade. De uma forma geral, ela significa a capacidade de aceitar as diferenças — físicas, mentais, culturais etc. — do outro. Ou seja, uma pessoa tolerante é aquela que reconhece e aceita que nem todas as pessoas precisam pensar, agir e ser como ela.

Com o avanço da tecnologia, nossa sociedade está cada vez mais diversificada. É comum estarmos em constante contato com outras culturas e etnias e, por isso, é importante compreender quais são as ideias que estão ligadas à tolerância.

Existem três conceitos básicos que a educação inclusiva deve trabalhar em sala de aula para que os alunos — principalmente crianças e adolescentes — compreendam, desde cedo, a importância de respeitar as diversidades. São eles:

1. Preconceito

Como o próprio nome já diz, o preconceito é uma ideia preconcebida em relação a uma pessoa, a uma raça ou a qualquer aspecto cultural diferente do nosso. Trata-se de um julgamento precipitado, baseado apenas em valores que temos dentro de nós mesmos, sem considerar aspectos externos que não conhecemos e, por isso, tendemos a desprezar ou criticar.

O preconceito, em si, não é algo ruim. Todos nós somos criados com base em uma carga cultural que molda a nossa forma de agir e pensar. Por isso, é comum que tenhamos ideias e crenças preconcebidas que influenciam a forma como enxergamos o mundo.

O problema está na incapacidade de compreender que esses preconceitos são questões individuais e subjetivas. Quando alguém pensa que suas ideologias são absolutas, ela cria uma distinção entre certo e errado totalmente equivocada, passando a enxergar todos aqueles que são diferentes como errados. Daí surgem os diversos problemas de intolerância.

Para garantir um bom convívio social, não precisamos abrir mão de toda a nossa carga cultural. Precisamos apenas entender que ela não é absoluta. Muito pelo contrário: cada pessoa tem uma carga cultural diferente, seja na forma de pensar, agir ou ser. Devemos apenas saber respeitar essas diferenças, sem a necessidade de querer impor os nossos preconceitos sobre os outros.

2. Discriminação

Quando alguém não tem a capacidade de compreender os preconceitos como algo subjetivo, ela consequentemente não consegue respeitar as diferenças nas outras pessoas, pois acredita que a sua forma de pensar, agir e ser é a correta. O resto estaria errado.

Dessa forma, ela acaba exteriorizando seus preconceitos na forma de discriminação, que é a atitude de inferiorizar e insultar aqueles que estão fora do seu espectro de “normalidade”.

A ilusão de que existe algo “normal” ou “anormal” faz com que as pessoas intolerantes — ou seja, que não têm a capacidade de compreender e aceitar as diferenças nos outros — expressem seus preconceitos em ações moralmente condenáveis, gerando segregação e causando sofrimento àqueles que não são como eles.

Um dos objetivos da profissão de professor é ensinar em sala de aula que nenhuma pessoa é superior à outra apenas por causa da sua cor de pele, orientação sexual, crença, capacidades físicas ou mentais, etc. É assim que um educador contribui com um futuro cada vez melhor, com menos discriminação e mais tolerância.

3. Racismo

Como já mencionamos, quando uma pessoa não consegue compreender que os seus preconceitos — baseados em cargas culturais — são subjetivos, ela tende a acreditar que faz parte de uma raça superior. Isso gera a ilusão de que aqueles que não têm as mesmas características que as suas são inferiores e, portanto, podem ser tratados de forma diferente. Isso é o racismo.

Hoje em dia, sabemos o quão absurdo é esse tipo de pensamento. A cor de pele de uma pessoa, por exemplo, não representa nenhuma diferença, pois, por dentro, somos todos iguais. Basear a nossa forma de agir com os outros apenas em características físicas é algo inimaginável, ainda mais diante de uma sociedade tão diversificada culturalmente como a nossa.

Ainda assim, existem centenas de pessoas que acreditam nessa superioridade de raças. Em São Paulo, são registrados cerca de 4 casos de discriminação racial por dia. Por isso, é de suma importância que as escolas busquem formas de inserir alunos de diferentes etnias em um mesmo ambiente, desenvolvendo, assim, a noção de tolerância e igualdade de direitos desde cedo.

Quais são os aspectos legais no Brasil sobre o assunto?

Como ainda existem diversos casos de discriminação no nosso país, torna-se essencial a intervenção do Estado para garantir que as pessoas sejam tratadas de forma justa, independentemente de suas diferenças. Sendo assim, existem inúmeras leis que abordam a questão da educação e diversidade.

Vale lembrar aqui que, quando falamos de igualdade de direitos, não estamos dizendo necessariamente que todas as pessoas são iguais. Até mesmo porque isso não é verdade. Não é possível, por exemplo, oferecer o mesmo tratamento a uma pessoa em plenas condições físicas e um paraplégico, pois existe uma diferença objetiva entre eles.

É por isso que uma das máximas do Direito garante tratamento igual para os iguais e desigual para os desiguais, nos limites das suas desigualdades. Essa é uma forma de garantir que a balança esteja sempre equilibrada para as pessoas que não conseguem as mesmas oportunidades que os outros por conta das suas diferenças físicas ou mentais.

É esse princípio da igualdade que justifica a elaboração de leis que visem diminuir a discriminação e promover a convivência e o respeito entre pessoas diferentes. Um exemplo disso é a lei 12.288 de 2010 — Estatuto da Igualdade Racial —, que tem o objetivo de garantir a igualdade de oportunidades à população negra e coibir qualquer intolerância étnica.

No âmbito da educação, temos dois exemplos normativos que são de grande importância para promover o respeito à diversidade. São eles:

Diretrizes e bases da educação nacional

A lei 9.394 de 1996 estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, definindo os seus princípios, objetivos, organização e composição. Qualquer pessoa que se interesse pela carreira de professor deve conhecer essa lei para garantir o bom exercício da sua profissão.

Em 2003, foi aprovada a lei 10.639, que alterou a lei de diretrizes, incluindo no currículo oficial da rede de ensino básico a obrigação de abordar o tema “História e Cultura Afro-Brasileira”. Além disso, definiu também a data 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra nos calendários escolares.

Com essa mudança, todo o currículo escolar — principalmente as disciplinas de história, literatura e educação artística — deve abordar o estudo da História da África e dos africanos, da cultura negra brasileira, da luta dos negros no Brasil, além de tratar da sua importância na formação da nossa sociedade.

É interessante observar que, em todas as disciplinas, torna-se obrigatório mencionar a contribuição do povo negro em diversas áreas de atuação, seja na política, economia, ciências, entre outras. Com isso, os alunos poderão, desde cedo, tomar consciência do quanto é importante o respeito à diversidade, obtendo exemplos concretos de como pessoas de etnias diferentes alcançaram grandes feitos na história do nosso país.

Esse tipo de conhecimento é essencial para promover a igualdade racial e o combate a práticas discriminatórias, como o racismo e xenofobia. Além disso, ao tomar consciência das dificuldades que os negros passaram na história do nosso país, os estudantes também se tornam atentos para evitar que os mesmos erros do passado sejam cometidos novamente.

Base Nacional Comum Curricular

Como um complemento direto à lei de diretrizes e bases da educação, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que tem o objetivo de definir o conjunto de temas que devem ser abordados em sala de aula para que os alunos desenvolvam habilidades e aprendizados progressivamente ao longo da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio.

É importante ressaltar que a BNCC não especifica uma grade curricular obrigatória para o ensino básico e sim temas e propostas pedagógicas que devem nortear o aprendizado nas escolas. Sua função é estabelecer os conhecimentos, habilidades e competências que todo estudante deve desenvolver ao longo da escolaridade básica.

A BNCC se baseia nos princípios traçados pela lei de diretrizes, cujo objetivo é a formação humana dos estudantes, que contribuirão para a construção de uma sociedade democrática, justa e inclusiva no futuro. Esse é um documento que garante o respeito à diversidade dentro do âmbito escolar, combatendo preconceitos de etnia, gênero, origem, crença ou de qualquer outra natureza.

Como o BNCC deve ser usado como referência na elaboração das grades curriculares das escolas e dos materiais pedagógicos, isso significa que tudo isso deverá ser feito baseando-se na ideia de inclusão social. Sendo assim, é de se esperar que os alunos estejam envolvidos em trabalhos, disciplinas e atividades extraescolares que os lembrem constantemente da importância do respeito à diversidade.

Para finalizar, precisamos lembrar que, dentro das políticas de inclusão social, uma criança ou adolescente portador de necessidades especiais tem o direito de estudar em qualquer escola da rede de ensino básico. Antigamente, a maioria desses estudantes deveriam ser matriculados em instituições especializadas. Porém, hoje, nenhuma escola regular pode se negar a recebê-los.

A verdade é que a convivência com outros alunos provou ser muito benéfica para a formação daqueles que possuem algum tipo de deficiência. Por isso, existem leis que garantem seu acesso a classes comuns e, mais do que isso, penaliza as escolas públicas ou particulares que se negarem a fazer a sua matrícula, como é o exemplo do artigo 8º, I, da lei 7.853 de 1989.

Qual é o conceito de cidadania e sua relação com a diversidade?

O homem, como ser gregário, vive em sociedade e, portanto, precisa obedecer a certas regras que garantam uma boa convivência entre todos. O Estado é o responsável pela criação dessas regras, punindo aqueles que não as obedeçam.

A cidadania nada mais é do que a prática do conjunto de direitos e deveres que os cidadãos possuem em um Estado Democrático de Direito. É a sua garantia de efetiva participação na sociedade e na política, respeitando sempre os limites do outro. No Brasil, o maior exercício de cidadania está representado no direito de votar e escolher os representantes políticos da população.

Direitos e deveres andam lado a lado, pois toda ação de um cidadão influencia, direta ou indiretamente, na vida dos outros. Por exemplo, da mesma forma que você tem o direito de se expressar livremente, tem também o dever de não usar suas palavras para injuriar, caluniar ou difamar outras pessoas.

Mas, afinal, qual é a relação entre cidadania com a diversidade?

Em um país multicultural como o nosso e com um índice alarmante de desigualdade, existe uma relação direta entre essas duas coisas. Afinal, a cidadania só se concretiza no momento em que as pessoas conseguem exercer a solidariedade e a tolerância em suas ações.

Como os deveres de um cidadão estão ligados aos direitos de outro, o exercício da cidadania contempla o respeito às diferenças alheias. Pequenos gestos — como respeitar uma fila exclusiva para idosos ou uma vaga para deficientes — são grandes exemplos de exercício da cidadania.

A construção da cidadania se inicia nas escolas e, por isso, é tão importante falar sobre educação e diversidade. Se você se questiona sobre como ser um educador melhor, o passo inicial é abordar valores como respeito e tolerância nas salas de aula, fazendo sua parte para criar uma sociedade mais justa e inclusiva no futuro.

Quanto mais os deveres e direitos de um cidadão forem trabalhados em salas de aula, maiores serão as chances de que os alunos cresçam e se tornem adultos engajados nas lutas sociais contra as desigualdades. Dessa forma, estamos dando um grande passo na formação de cidadãos autoconscientes, com noção do que é cidadania e capacidade para exercê-la.

Qual o valor do exemplo na educação?

É preciso desenvolver, desde cedo, a noção de respeito pelas diferenças. A melhor forma de fazer isso é dando exemplos em salas de aula, tratando todos os alunos de forma igualitária e incentivando a inclusão no ambiente escolar.

Crianças, em geral, aprendem por meio da imitação. Logo, se eles vivem em um ambiente familiar cercado por brigas e xingamentos, é bastante provável que ele também seja um aluno briguento e boca suja. Porém, o professor também é uma figura de exemplo, e um dos seus objetivos é tentar amenizar essa situação por meio do diálogo e da interação.

Dessa forma, um professor não pode, jamais, ser preconceituoso, demonstrar favoritismos ou tratar seus alunos de formas diferentes. É essencial que a igualdade de tratamento esteja presente em sala de aula, independentemente da etnia, sexo, crença, habilidades ou condições físicas dos estudantes.

Ao se deparar com um problema, seja dentro da sala de aula ou fora dela, é preciso usar técnicas pedagógicas para solucioná-lo da melhor forma possível. Deve haver um cuidado para não ser muito punitivo e nem muito displicente. Estudar técnicas de mediação de conflitos no ambiente escolar é uma das melhores formas de aprender a lidar com essas situações.

Hoje em dia, um problema cada vez mais enfrentado na rotina de professor é o bullying — termo usado para designar as agressões físicas ou verbais cometidas por estudantes “brigões” contra outros mais fracos e indefesos. Essa prática reflete perfeitamente a intolerância e o preconceito existentes na sociedade, tendo em vista que a vítima do bullying, na maioria das vezes, é um estudante que se destaca por suas diferenças físicas ou comportamentais.

O combate a esse tipo de discriminação deve ser feito com cuidado pelos docentes, buscando reverter a situação daquele que pratica o bullying, na tentativa de torná-lo uma pessoa melhor. Mais uma vez, o diálogo e a mediação de conflitos devem entrar em ação.

É importante também buscar formas de inclusão no ambiente escolar, diversificando ao máximo os estudantes e trabalhando meios de interação entre eles, seja por dinâmicas em salas de aula ou outros métodos que os faça conviver e respeitar as diferenças alheias.

Tolerância na internet. Isso existe?

Com o avanço da tecnologia e a globalização, a internet se tornou algo constantemente presente em nossas vidas. O acesso à informação aumentou de forma exponencial, bem como as interações virtuais por meio das redes sociais e aplicativos de comunicação.

Por um lado, isso é muito bom, pois facilita a vida de todos nós, além de aumentar a liberdade de expressão. Por outro, é ruim, pois permite que muitas pessoas disseminem ódio, preconceitos e intolerância, já que se sentem protegidos pelo anonimato da rede.

Limitar o acesso de crianças e adolescentes à internet não é uma solução e muito menos é competência do professor. O trabalho dele, na verdade, é manter os seus alunos bem-informados e com uma opinião crítica acerca dos usos do ambiente virtual.

Imagine, por exemplo, que você veja um estudante caçoando do outro por causa de uma foto postada no Facebook mostrando este último com seus dois pais em uma festa de família. É seu dever, como educador, coibir esse tipo de atitude discriminatória, explicando que a homossexualidade é algo normal, e que não há nada de errado no amor entre duas pessoas do mesmo sexo.

Lembre-se mais uma vez de que educação e diversidade devem andar de mãos juntas. Nessa época de fácil acesso à informação, crianças e adolescentes estão cada vez mais em contato com diversas informações que podem deixá-los confusos ou questionadores. Cabe a você, professor, esclarecê-los sempre de forma didática, explicando que diferenças existem e devem ser respeitadas.

Suas atitudes em sala de aula devem guiar os estudantes para que usem a internet com sabedoria, sem disseminar o ódio ou praticar bullying virtual. Dentro das próprias redes sociais, os professores também podem atuar de forma ativa para dar exemplos de como respeitar as diversidades e, assim, ser um educador inspirador.

Como é tratada a diversidade na educação de alunos de outros países?

Um dos maiores problemas em relação à intolerância é o desrespeito às culturas de outros países. Nós inconscientemente temos como padrão a etnia euro-americana. Pessoas de outros países, com culturas diferentes do padrão ocidental, são vistas com olhares preconceituosos. Porém, diante da diversidade cultural existente no Brasil, esse tipo de preconceito precisa ser urgentemente combatido.

As minorias — pessoas que não se encaixam no padrão de homem, branco, heterossexual, etc. — sofrem constantemente com os preconceitos das classes dominantes. Quando se acrescenta fatores culturais — como o uso de burca por mulheres muçulmanas ou quipá por homens judeus —, as coisas só pioram, gerando uma segregação que não condiz com o nosso multiculturalismo.

Nas escolas, estudantes estrangeiros ou de culturas diferentes devem ser tratados como todos os outros. É função do professor dar exemplos em sala de aula ao respeitar os hábitos e costumes desses estudantes, impedindo que outros alunos sejam desrespeitosos.

É importante também tentar deixar claro a todos os motivos pelos quais o estudante estrangeiro age ou se veste de forma diferente. Assim, além de combater o preconceito e a intolerância, o professor também transmite um conhecimento cultural em sala de aula, satisfazendo a curiosidade dos alunos e ensinando-os sobre as diferenças alheias.

Por fim, da mesma forma que é preciso ensinar aos nossos alunos a necessidade de respeitar as culturas diferentes da nossa, é também preciso transmitir um pouco da nossa cultura aos estudantes estrangeiros, de forma que eles também respeitem seus colegas e professores.

O mundo é composto por uma diversidade de pessoas e culturas diferentes. Tomar nossos preconceitos como algo absoluto e certo é um erro que precisa ser combatido cada vez mais. As escolas são, provavelmente, o melhor local para trabalhar essas questões. Por isso, educação e diversidade é um assunto que precisa ser abordado constantemente, com o objetivo de formar seres humanos solidários e tolerantes!

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