Qual a importância da experiência extraescolar no ensino?

Você conhece bem o universo dos seus alunos? Os lugares que frequentam, os programas a que assistem, as músicas que escutam, os valores e os ídolos mais representativos?

O mundo muda cada vez mais rápido e os professores têm uma grande dificuldade para acompanhar a dinâmica das novas gerações. O principal desafio é compreender e agregar toda essa experiência extraescolar ao ensino formal, tornando o espaço da escola mais moderno envolvente.

Nesse sentido, as instituições educacionais de hoje precisam não apenas conviver com outras modalidades de educação não formal, informal e profissional, mas também articular-se e integrar-se a elas. Esse contexto traz a necessidade de análise e reflexão constante sobre os caminhos da educação com relação ao desenvolvimento integral do cidadão.

Perspectivas do ensino formal

Muitos alunos não veem no mundo real o que se estuda na escola e acabam sentindo-se frustrados e desmotivados.  A ideia de aprender em um recinto confinado é incompatível com os meios de comunicação modernos: hoje, educar-se é um processo autônomo de informar-se.

Nessa lógica, cada centro difusor de informação, dentro e fora da internet, funciona como instrumento social de educação. O professor não pode mais se apegar a um perfil informador: ele não ensina, mas sim ajuda o aluno a aprender.

Para orientar esse aprendizado, é imprescindível conhecer todas as facetas da realidade em que os jovens estão inseridos. Para muitos professores, essa tarefa pode não ser tão simples. Afinal, são muitos valores e comportamentos diferentes do que aprenderam quanto tinham a mesma idade. Mas, como diz o famoso professor Mário Sérgio Cortella em palestras para educadores: “mudar é complicado, acomodar é perecer”.

A experiência extraescolar na LDB

O objetivo da Educação Básica é assegurar uma formação comum necessária ao exercício da cidadania a todos os brasileiros, além de proporcionar meios para que eles possam progredir no trabalho e em estudos posteriores.

Diante da emergência em buscar novas formas de trabalho mais dinâmicas e adaptadas às realidades dos alunos, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996 instituiu a experiência extraescolar como um dos princípios fundamentais dessa formação. O conceito se refere a todas as atividades sociais vividas fora da escola.

Nesse sentido, entende-se que um ensino significativo deve mobilizar diversos recursos para construir o conhecimento. Educadores engajados com a causa devem acompanhar a caminhada do aluno no processo de aprendizagem e na construção das competências necessárias para o pleno exercício da cidadania.

O exercício da cidadania na experiência extraescolar

A cidadania não pode ser tratada como uma concepção abstrata, mas sim uma prática cotidiana. Ser cidadão vive, não apenas conhece. Constituir a cidadania como poder de participação é imprescindível para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Assim, todas as experiências fora da escola servem para materializar aprendizados ou estimular a curiosidade própria de um processo educativo independente da presença do professor e da escola. O envolvimento diferenciado faz com que o conhecimento seja internalizado por meio dos diversos sentidos, tornando-o mais consistente e transformador.

A cidadania, como a liberdade, deve ser conquistada. Cabe aos educadores ampliar o debate sobre a questão da cidadania e os limites impostos à sua prática, trazendo para a escola a reflexão sobre toda a riqueza da diversidade vivida também do lado de fora.

Preparando o jovem para a vida

A experiência extraescolar também exerce uma função fundamental na preparação dos jovens para a vida social, já que eles vão ganhando cada vez mais capacidade de se adaptar a situações e ambientes novos. Nesse caminho, aprendem que a conquista de determinados objetivos não depende apenas das capacidades cognitivas.

Logo, a aprendizagem vai além das contribuições das disciplinas tradicionais, possibilitando o desenvolvimento de capacidades de inserção social e relações interpessoais. Os sentimentos e emoções vivenciados nesses contextos são fundamentais para o processo de autoconhecimento que proporcionará mais consistência às escolhas de vida.

Construção de repertório criativo

É errôneo supor que exista uma diferença básica entre educação e diversão: aquilo que agrada ensina de forma muito mais eficaz. Nesse sentido, mesmo as atividades de lazer trazem muita riqueza na formação de estudantes, considerando as conexões criativas que elas podem proporcionar.

Para compreender melhor essa ideia, é preciso retomar o conceito de criatividade: não se trata de um talento nato restrito a profissionais da arte e da propaganda, mas de uma habilidade de resolução de problemas e expressão de sentidos, que é desenvolvida mediante a formação de um rico repertório cultural.

Quanto mais experiências extraescolares acontecerem na vida dos alunos, mais referências serão armazenadas e mais o cérebro será estimulado a fazer novas conexões, criando novas ideias, conceitos e decodificações. Assim, o desenvolvimento de capacidade crítica tão necessária às atividades do ensino formal ganha um importante aliado.

Pessoas que acreditam não ser criativas podem apenas ter suprimido o impulso exploratório natural das crianças, muitas vezes devido a metodologias educativas arcaicas, que valorizam o excesso de conteúdo em detrimento do lúdico.

A mudança é necessária

Por todos esses motivos, os envolvidos no processo educativo precisam estar preparados, qualificados e informados sobre o universo das novas gerações, uma vez que atualmente, as tecnologias de informação e comunicação interagem em tempo real com todas as partes do mundo.

A partir dessa perspectiva, a escola deve ter em sua grade curricular disciplinas e temas geradores de acordo com a realidade contextualizada, desenvolvendo de forma interdisciplinar os objetivos propostos no Projeto Político Pedagógico.

Como se vê, a tarefa é imensa e o professor certamente é uma peça essencial nessa jornada. Começar a pensar na nossa responsabilidade de cidadãos e formadores de cidadãos é um primeiro passo. A postura e a atitude do professor influenciam muito a maneira como os próprios alunos veem a questão — daí a necessidade de uma formação sólida e de uma constante reciclagem do corpo docente.

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