Violência nas escolas: qual deve ser a postura do professor?

Os dados são recentes e alarmantes. Um estudo desenvolvido pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), realizado em 2015 e divulgado em 2016, mostra que quase 70% dos jovens brasileiros dizem ter presenciado algum tipo de agressão dentro da escola.

Desse total, a maioria dos casos de violência (65%) parte dos próprios alunos; outros 15,2% dos professores; 10,6% de alguém de fora da escola; 5,9% de funcionários; e 3% de diretores.

Uma segunda pesquisa, ainda em andamento, realizada por especialistas da PUC do Rio Grande do Sul, mostra a relação entre os efeitos da violência e o impacto no desempenho escolar e no cérebro de crianças de 10 a 12 anos.

Previamente, os resultados mostram que crianças expostas a ambientes violentos apresentam desempenho acadêmico abaixo da média. Além disso, o cérebro dessas crianças sofre com efeitos negativos na capacidade de prestar atenção e ele apenas “sobrevive” – sem conseguir responder a determinados estímulos.

Para que esses índices de situações agressivas e suas consequências sejam reduzidos, cabe ao professor, como um dos responsáveis pelo bem-estar dos estudantes, introduzir estratégias de prevenção à violência na escola, bem como controlar situações que ponham em risco seus alunos e sua própria integridade. Pensando nisso, listamos abaixo 4 medidas a serem tomadas pelo educador para prevenir tais situações. São elas:

Servir de referência para a turma

Sabe aquele ditado “digas com quem andas que lhe direi quem tu és”? O professor tem um papel fundamental de servir como exemplo para sua turma. É muito importante que ele seja admirado por seus alunos para que possa estreitar e fortalecer os laços emocionais e profissionais, garantindo o controle de situações de conflito em sala de aula.

Uma boa sugestão é estimular os alunos a se interessarem pela busca de conhecimento. Mas, para isso, é preciso evitar o enfrentamento, visando preservar a possibilidade da turma de superar obstáculos, especialmente nos casos de estudantes que já apresentam impactos comportamentais decorrentes da violência – seja em casa ou nas ruas.

Nesses casos, o educador deve perceber que as atitudes agressivas por parte de alguns alunos não são, obrigatoriamente, direcionadas a ele enquanto professor, e sim, fazem parte de um histórico de déficits no desenvolvimento emocional, cognitivo e social do estudante.

Evitar medir forças e promover o diálogo

É um erro do educador achar que medir forças com o aluno é uma forma de “ganhar a guerra” contra a violência nas escolas. Não é. Pelo contrário. Os embates podem fazer com que o estudante se torne ainda mais agressivo.

Ao invés de potencializar a agressividade, o professor deve valorizar habilidades como o esforço em torno de algum objetivo e comemorar as conquistas desse aluno. Promover ações que estimulem o diálogo, seja por meio de rodas de conversa, reflexões em sala de aula que exponham sentimentos, conflitos e atitudes inadequadas podem ajudar o aluno a repensar posturas e a construir soluções que inibam ações ou situações violentas.

Elaborar um projeto que envolva a turma – contra a violência e a favor da paz – pode ser o início de uma grande campanha capaz de envolver toda a comunidade escolar ou grande parte dela. Aliado a isso, é papel do professor, com a instituição de ensino, dar suporte às vítimas de agressão para que o problema seja solucionado.

Trabalhar a inteligência emocional

Autocontrole, empatia e sociabilidade. Para que um professor possa trabalhar a inteligência emocional em sala de aula é preciso que ele próprio, previamente, desenvolva determinadas habilidades. Algumas instituições de ensino oferecem oficinas e cursos para que a comunidade docente possa se aperfeiçoar.

De posse desse know-how, os professores podem transmitir os ensinamentos a seus alunos, estimulando a prática de competências socioemocionais por meio da tecnologia. Um exemplo a ser implementado é a resolução de desafios que contribuam para a inteligência emocional na sala de aula. A intenção é fazer com que a turma reflita sobre hábitos, costumes, conhecimento e limitações para que eles próprios apontem o que precisa ser melhor trabalhado na escola.

Outra sugestão é a gamificação – uso coletivo de jogos e dinâmicas para engajar os participantes – que pode contribuir para ações contra a violência nas escolas e atitudes positivas. Filmes, textos e imagens também podem ser trabalhados em sala de aula com o mesmo intuito.

Conhecer ferramentas legais de punição/repreensão

É importante que o educador, por fim, tome ciência das leis brasileiras que regem o tema violência nas escolas. Em 2015, por exemplo, foi aprovado o PLS 469/215, agravando a pena para crimes praticados dentro ou nos arredores de escolas.

Se o crime for praticado em um esquema de “tocaia” no interior da instituição, em raio de 100 metros ou próximo à residência, o juiz pode, inclusive, aumentar a pena em até metade pelo delito. Até o início de 2018 o projeto aguardava votação em plenário no Senado Federal.

Além desse, outros dois projetos tramitam na Comissão de Constituição e Justiça. São eles:

  • o PLS 251/2014, que propõe a criação do Programa de Prevenção da Violência na Rede Educacional Brasileira, visando garantir a segurança e a integridade de professores e alunos;
  • e o PLS 438/2012, que modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), no que tange à prevenção da violência no ambiente estudantil. Ambas aguardam designação do relator.

Por último, em 2016, foi aprovada a Lei 13.277/2016, que instituiu o dia 7 de abril como sendo o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola — mesmo dia em que um ex-aluno de uma escola pública de Realengo, no Rio de Janeiro, invadiu a instituição, matando 12 alunos com idades entre 13 e 16 anos, alegando ter problemas psicológicos por ter sofrido bullying no tempo em que frequentou a escola.

Enfim, conhecer as leis tornando-as mais rígidas para os agressores é uma forma de tentar coibir a violência nas escolas, garantindo, assim, a integridade física e emocional do educador e das vítimas.

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